Chamada de Trabalhos

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Em um artigo publicado no New York Times de 22 de novembro de 2015, o jornalista de origem hispânica Manny Fernández aborda uma das realidades mais dolorosas e mais ignoradas da fronteira entre os Estados Unidos e México. De acordo com Fernández, os dados proporcionados pelo Instituto de Política Migratória de Washington revelam que em torno  de 130.000 imigrantes sem documentos residem em apenas dois dos quatro condados que compõem o vale do rio Grande no  estado do Texas, um território que representa uma verdadeira “terra de ninguém”, um espaço no qual milhares de pessoas vivem presas de modo permanente a uma zona crepuscular aprisionada entre duas fronteiras: a fronteira oficial que separa as duas nações e a oficiosa, mas  igualmente efetiva, que separa do interior dos Estados Unidos uma faixa de terra, cuja largura varia entre  40 e  160 quilômetros, compreendida entre as margens do rio Grande e os postos de controle operados pela Patrulha de Fronteiras no sul do Texas. Como afirma Fernández: “Aqueles que se encontram aqui presos não têm outra  opção do que conformar-se. Não podem deslocar-se para o  norte por temor de serem detidos ao tentar cruzar de carro os postos de controle ou de encontrar a morte nas imensas paragens ao tentar rodear os controles. E  tão pouco irão ao sul pelas mesmas razões que os levaram a deixar o  México em primeiro lugar“. Tais indivíduos sobrevivem em um limbo, una “jaula de ouro“, como alguns se referem a esse território crepuscular de acordo com Manny Fernández, que é muito simbólico dos milhares, senão milhões, de deslocados que se vêm forçados a ocupar as margens, ou a periferia, das Américas e do mundo em geral.

Marginalia é um termo latino que em suas origens se referia às anotações que os monges e outros amanuenses realizavam nos espaços em branco que rodeavam o texto manuscrito sobre um pergaminho. As línguas românicas são em grande medida produto de anotações marginais nos manuscritos latinos. Assim, as primeiras manifestações escritas da língua espanhola se encontram nas glosas que os monges anotavam nas  margens dos pergaminhos latinos para esclarecer o comentário das palabras cujo significado resultava já obscuro para o leitor medieval, e tais anotações faziam-se, na nova língua românica, que não era mais que latim macarrônico. Por extensão, marginália se refiere a essas obras que não pertencem ao cânone estabelecido por uma cultura ou uma civilização e seu significado é muito próximo ao de apócrifo. Pode, além disso, entender-se como referência aos interstícios que existem entre duas ou  mais culturas, nações ou religiões. Em nossa acepção do termo, marginália se refere a essas zonas do mundo que estão povoadas por indivíduos deslocados ou desemraizados, espaços liminares de onde a mera subsistência se considera uma atividade ilegal.

Dada sua posição geográfica nas margens do rio Grande, o Bravo, e sua importância como o porto seco mais ativo de todas as Américas, além de sua peculiar história—que inclui ter servido como capital da efêmera República do Rio Grande—Laredo oferece sem dúvida um espaço excepcional para uma conversa acadêmica sobre fronteiras e margens. Essa é a razão que levou a IASA a escolher a cidade de Laredo para a celebração de seu primeiro congresso em território estadounidense.

Da mesma forma que em nossos congressos anteriores, esta convocatória não exclui nenhum tema de nosso  campo de pesquisa e todas as propostas são benvindas, embora não se relacionem diretamente com o tema do congresso. Assim, possíveis outros temas podem ser incluídos, não se limitando aos seguintes:

  • História e literatura da fronteira entre México e Estados Unidos
  • A  experiência chicana
  • As fronteiras das Américas, passadas e presentes
  • Migrações geográficas e culturais
  • Vida e escritura nas margens
  • Identidades híbridas e liminares
  • Políticas da tradução
  • Bilinguismo e biculturalismo
  • As línguas da fronteira
  • Cruzes e transgressões da fronteia
  • As fronteiras da fronteira
  • A fronteira no imaginário coletivo estadounidense
  • Para além do nacionalismo e suas fronteiras
  • Fronteiras corporais, fronteiras mentais
  • Globalização e “fronterização

Os autores podem apresentar seus trabalhos em qualquer uma das  quatro línguas oficiais do congresso: inglês, francês, português e espanhol.

DATA LIMITE PARA ENVÍO  DE PROPOSTAS: 1 DE ABRIL DE 2017

Favor submeter um resumo de no máximo 500 palavras e uma pequena biografia para o seguinte email: IASA2017@tamiu.edu

Autores serão notificados sobre aceite/rejeição até 1º de Abril de 2017.

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